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Flávia Reistam: “Perdi o medo de ser eu”

Flávia Reistam

Flávia Reistam desbrava com sabedoria seus encantos de maneira que se liberta das amarras e explode o genuíno respeito pelo seu ser. 

Graciosa, mas com apimentados momentos, compartilhou de forma miraculosa seus passos como sexworker e como esse caminho transcendeu o que havia dentro de si.

Flávia Reistam

Flávia Reistam
Flávia Reistam

Para começar a nossa conversa, conte-me como surgiu a ideia de trabalhar com conteúdo adulto e quais foram os caminhos que te levaram até onde está?

Nunca tinha pensado em tirar fotos sensuais ou trabalhar com este tipo de conteúdo. Mas sempre gostei de estar a frente das lentes e estar em evidência.

Foi então que conheci o Ricardo e começamos a namorar, ele como fotógrafo da arte sensual, me deu segurança a me libertar e estar linda em frente as câmeras. E hoje não me vejo sem tirar fotos, fazer vídeos. Isto me libertou, e quando tomamos do cálice da liberdade jamais queremos passar sede de novo.

Há quanto tempo você trabalha com conteúdo adulto?

Acho que uns 5 ou 6 anos. Mas foi um processo, e evolução nas fotos e em mim. Mas acho que uns 5 anos.

Flávia Reistam
Flávia Reistam
Flávia Reistam

O que mudou na sua vida desde que assumiu esse trabalho?

Mudou muita coisa internamente. Me mostrou sobre minha própria sexualidade, sensualidade, aceitação física, o mental muito mais forte e o melhor foi me ver poderosa nas fotos.

Olhar, postura, e aura de uma mulher livre e poderosa. Isto me fez permitir coisas novas, roupas, gostos e em relação ao sexo uma libertação por estar segura do que eu era e do que queria. E no meu dia a dia a cada passo me sinto mais segura em minhas decisões e esta parte foi mais importante pra mim. Perdi o medo de ser eu.

Sobre criação e publicação de conteúdos nas plataformas. Como é o seu processo criativo para bolar os seus conteúdos? Você se inspira em alguém, pesquisa algum tema ou recebe sugestões dos seus seguidores?

Este processo criativo gosto que seja natural, que seja introduzido no meu cotidiano.  Encontrei várias pessoas no meio do caminho que me ajudou muito a me libertar e me ajudou a continuar. Ver mulheres naturais, com seus estigmas, e fora de um dito padrão me ajudou muito a ser feliz comigo mesma e com isto o conteúdo flui.

Flávia Reistam
Flávia Reistam

Trabalhar com conteúdo adulto mexe com você? Que tipo de sensação esse trabalho provoca na sua essência como pessoa?

Ter contato com a liberdade e quebra de tabu foi muito importante pra mim como mulher. Me sinto uma rainha e isto veio com as fotos e vídeos, me olhar e ver o quanto linda e sensual.

Me mostrou que poderia ser capaz e libertou a rainha que estava adormecida dentro de mim. E tudo isto mexeu comigo, não só na parte sexual, mas me trouxe na vida cotidiana uma segurança e poder andar de cabeça erguida, sem medo de trocar de rota sabe?!?! Sem medo de recomeçar e começar quantas vezes for necessário.

Na sua concepção, o que é ser sensual? Como que você lida com a sua sensualidade?

Encaramos a sensualidade ligada ao sexo, mas acho que a sensualidade está ligada ao um panorama maior em nossas vidas. Sensualidade esta nos detalhes, num mexer dos cabelos, um olhar penetrante, ao ser uma pessoa livre, um sorriso gostoso, palavras seguras e um perfume gostoso.

A sensualidade está extra cama, extra nudez, a sensualidade está ligada a alma e esta alma tem que estar livre … Ser sensual está automaticamente ligada a liberdade. Liberdade física, mental e espiritual.

Encaro minha sensualidade claramente me envolvendo em todos os âmbitos da minha vida, eu tento ser mais livre possível, viver o máximo e ser assim não tem nada mais sensual do que deixar se levar sabendo a mulher deliciosa que é.

Flávia Reistam
Flávia Reistam

Qual é a razão dos seus suspiros?

Viver meus fetiches livremente, tem um companheiro que me eleva como mulher, estar feliz em estar na minha própria pele. No meio de tudo isto ter um bom vinho, charuto, R&B rolando… ahhhhh suspiros altos (risos).

O que te deixa mais ligada, erotismo ou pornografia e por quê?

Erotismo claro. O erótico nos traz mistério e curiosidade, com isto descobrimos delícias novas, fetiches quentes e nos faz nos descobrir melhor.

Agora a pornografia não é de todo mal, mas fica difícil porque a pornografia dita padrões de beleza pra mulheres e homens, dita regras que não podemos errar, deixar de gozar, não podemos ter pelos ou pênis pequenos, e por ai vai … Isto é introduzido na mente dos homens e mulheres que temos que ser infalíveis e padronizados, tudo ao contrário do que o sexo tem que ser.

Fora o vício em pornografia que é algo grave e pouco discutido.  A pornografia lógica que sempre será utilizada, mas jamais ser colocada acima do toque e da liberdade na hora do sexo.

E a beleza não está ligada em padrões escolhidos pela indústria. Sejamos todos livre e lindos na hora do sexo e desligue a pornografia. Bora nos curtir e nos descobrir.

Flávia Reistam

Dentro da produção de conteúdo adulto, você procura se mostrar de uma maneira mais artística, ou segue uma forma mais espontânea, deixando fluir naturalmente?

Vejo como uma mistura dos dois. Porque a nudez e as fotos estão ligadas a arte sempre.  A arte está ligada a interpretação pessoal de cada um.

Uns vão encarar como sexo puro, outros como beleza, outros como uma afronta e por aí vai… Meu conteúdo é arte pura e espontânea. Isto facilita que este conteúdo seja sempre alimentado por que o processo pra mim e natural entende?!!

Ser exibicionista pode ser considerado uma forma de expressão artística?

Todos estes anos de vida me mostrou que tudo é arte, só depende dos olhos de quem vê. Nudez, sexo, fotos, toque … Tudo isto é arte pra mim. Ver um ser humano em sua forma mais animalesca como na hora do sexo, não há nada mais artístico que isto.

Este momento voltamos a ser seres incrivelmente rudimentares e isto é fascinante. O exibicionismo envolve um perigo de ser visto, mas também o encantamento de ser visto. A adrenalina, depois a liberação de endorfina não a nada mais artístico e natural que isto.

Flávia Reistam

Família, amizades e relacionamentos amorosos, como que é a relação deles com o seu trabalho?

Sempre fui uma pessoa afrontosa e diferente pra minha família. Sempre respeitei cada ser individualmente mesmo sendo minha família, respeitando gostoso e aptidões.

Então isto que ajudou a fazer o que eu faço sem ter medo de ser feliz e livre. E sempre ter comunicação isto sempre ajudará a ter uma ligação de respeito dentro deste contexto.

O que as pessoas irão ver, acessando os seus conteúdos?

Alguém livre, feliz e acessível. Fotos lindas, arte, gostos, fetiche e vai me ver transparente e quem quiser realmente me conhecer conseguirá porque estamos todos ali pra troca de experiência e história.

Flávia Reistam
Flávia Reistam

Já sofreu algum tipo de preconceito por conta de trabalhar com conteúdo adulto? Você acha que nos dias de hoje as pessoas já entendem melhor e aceitam o(a) profissional que segue esta profissão?

Todas nós, mulheres, já sentimos na pele a estigma de estarmos nuas, sempre tem pessoas que enxergam como facilidade pra desrespeitar. Muita gente não respeita este tipo de arte.

Acho sim que está melhorando como a sociedade enxerga este tipo de arte. Mas ainda é um caminho longo e árduo. As pessoas precisam abrir a mente e ao ver nudez e encarar como arte e não pornografia ou prostituição.

Você acredita que em pleno século XXI, com a expansão da comunicação, redes sociais e as plataformas de relacionamento, falar de sexo e expressar a sexualidade ainda é um tabu na cabeça do brasileiro?

Culturalmente falando, o Brasil está sempre atrasado. Isto está ligado à nossa história ao longo caminho que a sociedade tem que enfrentar desde o nosso descobrimento.

Isto está intrínseco na nossa criação e sociedade. Não só sobre a sensualidade, mas também sobre raças e minorias, o brasileiro não encara bem as diferenças porque falta conhecimento e estudo sobre vários âmbitos da evolução da história e sociedade.

Triste ver um país tão polarizado ter uma cabeça no século passado. Mas tenho esperanças e cada ser humano que levanta na mesa desta sociedade e dizer que o que sendo servido não é o aceitável, sei que iremos evoluir.  Mas terá muita luta.

Trabalhar e lidar com as pessoas não é tarefa fácil em nenhuma profissão. Você geralmente tem jogo de cintura para lidar com gente “desagradável”? Qual o tipo de atitude que você toma quando uma pessoa está começando a se tornar inconveniente?

(Risos) no começo me incomodava mais a atitude de 5°serie de alguns rapazes, mas hoje eu só dou risada, faço piada e acabou. Agora se a pessoa for mais incisiva eu só bloqueio e vida que segue…, mas aprendi com o tempo ser menos atingida por este tipo de atitude.

Ligado a pergunta anterior, o contato e a exposição pessoal podem se tornar estafante? Como que você lida com o estresse e a ansiedade? Faz algum tipo de terapia ou alguma outra atividade para relaxar?

Como disse acima, com o tempo eu aprendi a não me deixar atingir, porque são pessoas que não conheço, não tenho contato. Mas eu desenho, bom papo com pessoas queridas, fumo um bom charuto, ouço um bom jazz e a onda do mal passa.

Você enfrenta ou já enfrentou dilemas na sua vida? Se já enfrentou ou enfrenta, como é que você lida com isso?

A vida é cheia de conflitos. Isto nos deixa vivos, sempre haverá questões a serem feitas e conflitos nas faz a ter que tomar decisões mais acertadas. Dilemas nos deixa vivos e nos faz consultar áreas antes jamais observadas dentro de nós mesmos. Não vejo estes conflitos/dilemas como ruins e sim como aprendizado.

Qual é sua ligação com seus seguidores? Eles são atenciosos?

Acabo de perder meu Instagram com 20 mil seguidores, o que mais me entristeceu foi perder contato com algumas pessoas. Ganhei amigos na rede social e meus seguidores são bem bacanas e carinhosos comigo.

Acho que a troca sempre é muito válida. Conheci mulheres incríveis e homens encantadores. Só tenho a agradecer o carinho e cada curtida sabe. Sempre será bem-vindo pessoas novas.

O que você não tolera presenciar trabalhando nesse meio?

Desrespeito, intolerância e falta de noção por parte do público…

Existem pessoas que te inspiram para você fazer o seu trabalho?

Existem sim. Fotógrafos, modelos e pessoas que simplesmente são livres. Não daria pra citar nomes porque a lista é grande, mas estou sempre cercada de pessoas incríveis.

Porém vou fazer uma menção honrosa ao @ricardopereirafotografia que me mostrou a mulher incrível que eu sou … que pelas suas lentes e seu amor me vez ver a Flávia rainha que sou. Te amo, meu rei.

Você consegue ter um momento que é só seu? O que gosta de fazer nas horas vagas?

Tenho sim. Meu tempo livre fico com a minha família que é meu bem maior, aproveito pra agarrar minha filha, beijar minha mãe, amo jogar vídeo game, desenhar, bons filmes, ótimas músicas… sou bem caseira, então estão em família me recarrega.

Uma música que transpira tesão em sua vida?

Pergunta difícil, sou um ser musical (risos) mas amo o Usher e tem uma música em especial que pra mim o tesão puro é Mars vs. Venus….

Para as pessoas que desejam iniciar na produção de conteúdo adulto, há alguma dica que você gostaria de compartilhar com eles(as)?

Vá com calma, respeitando sempre seus limites. Não foque em padrões, foque em liberdade, em arte. E sempre saiba que você é lindo e sempre terá um publico que vai te olhar com carinho. Boa sorte e não desista na 1°critica, faça aquilo que te faz feliz.

Chegou a hora! Abra seu coração e deixe um recado para nossos leitores e seus fãs.

Foi uma honra estar aqui. Estar entre deusas lindas e unir nossas histórias como uma colcha de retalho. Obrigada pela oportunidade e espero que minhas palavras te inspirem de alguma forma … beijos bem gostosos e nunca esqueça de serem livre.

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