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Lud Lower – A sublime naturalidade do ser

Lud Lower
Lud Lower

Lud Lower não registra apenas momentos, ela cria histórias de autoconhecimento e autoestima, o maior poder de sua visão é trazer naturalidade e aceitação para as pessoas que aceitam encarar suas poderosas lentes. 

Batemos um papo sobre o universo dos fotógrafos e como a visão da sensualidade deve permanecer precisa e carinhosa aos olhares alheios. 

Lud Lower

Olá Lud Lower! Poderia contar um pouco sobre sua história e como foi o seu primeiro contato com a fotografia?

Meu primeiro contato com a fotografia veio lá da infância, minha família sempre gostou de tirar muitas fotos e fazer filmagens, desde nova eu me fascinava por esse mundo. Minha mãe dizia que quando eu era pequena arrumava as Bonecas Barbies e depois as filmava nas poses, e olha só, faço isso com pessoas.

Quando tinha 14/15 anos decidi ser fotografa, sempre tirava fotos das minhas amigas do prédio, escola e nos roles, mas foi com 19 anos que decidi estudar por conta própria e realmente me aprofundar nesse mundo, comprei a primeira câmera e me joguei.

Há quanto tempo trabalha como fotógrafo? Houve alguma dificuldade para ingressar na área? Algum tipo de preconceito ou barreira?

Trabalho com fotografia há 11 anos já, ufa! É até estranho, em números, porque é muito tempo e passou muito rápido.

Acho que a maior dificuldade de ingressar no mercado quando você não vem de berço de ouro é comprar os equipamentos no início, quando decidi ser fotografa eu queria ir para um lado mais de fotografia documental, de retratos de subculturas e acabei caindo no sensual, hoje não saio mais dele.

As dificuldades de ser mulher dentro da fotografia que não seja foto de bebês e gestante são grandes, já passei por machismos explícitos e velados, mas é não desistir, nós mulheres em qualquer ramo sempre teremos que fazer 3x mais para sermos reconhecidas.

Hoje o maior machismo que sofro é sobre meu trabalho do sensual e nu masculino, muitas pessoas fazem suposições e já acharam que eu era garota de programa por conta do meu trabalho.

Não sei para você, mas acredito que o sonho da maioria dos fotógrafos é cobrir desfiles e ser fotógrafo de moda. Foi assim para você?

Nunca tive sonho de ser uma grande fotografa de moda! Eu gosto muito, já pensei em alguns, fazer minha vida e migrar para esse mundo, mas eu gosto mesmo de poder mudar algo com minha foto, cada vez mais me aprofundo na psicologia da fotografia e em como um ensaio pode mudar o estado mental, emocional e espiritual de uma pessoa, quero aplicar todo esse conhecimento em algo que pode ser bom para as pessoas e na questão social, estou com projetos futuros para fazer trabalho que tragam mais visibilidade a certas pessoas que ainda não posso falar.

Meu sonho mesmo é poder fazer trabalho social com minhas fotografias, mas o mercado capitalista nos prova todo dia em trabalhar apenas para se sustentar, mas acredito que em breve coloque novos planos em prática.

Na sua opinião quais são as maiores dificuldades que um fotógrafo enfrenta nesse mercado tão concorrido e sobrecarregado de redes sociais, onde qualquer um pensa que é fotógrafo?

TODAS as dificuldades. Eu sou uma ótima artista e fotografa, porém, sou uma péssima pessoa online. Eu gosto das redes sociais sempre gostei, mas as métricas estão causando um esgotamento gigante em mim e em vários outros profissionais que hoje dependem das redes para a venda dos trabalhos.

Eu falo que tem fotógrafo que às vezes nem tem um trabalho tão sensacional, mas é um sensacional digital influencer. E tem fotógrafos sensacionais que são péssimos digitais influencers. As redes motivam a 10 por hora e desmotivam a 100 por hora, não é uma conta justa.

Eu recentemente perdi uma conta de 44 mil seguidores e isso me desmotivou muito, hoje eu tenho uma rotina muito corrida, sou mãe solo e dona da minha própria empresa, eu não sei se conseguirei tirar forças e tempo de novo para me dedicar tanto como me dediquei há 5 anos atrás.

Lud Lower
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Você é fã de algum fotógrafo, seja ele da atualidade ou dos grandes clássicos como Bresson, Brassaii, entre outros? Procura se inspirar em alguém?

Eu sou fã de pessoas, eu consigo simpatizar muito mais com o trabalho quando conheço o artista, é muito doido isso, né? Como consigo parar de gostar de um trabalho pelo mesmo motivo.
Minha lista de inspirações envolve desde música, pessoas reais, amigas, a tia da vendinha, diretores de cinema.

De fotógrafos mais famosos eu amo a Annie Leibovitz, eu acho que ela é a verdadeira PINTORA da fotografia, o que ela faz com a luz é surreal! Bresson, é o que mais trago em meus trabalhos, o que me inspira nele são os momentos reais que ele faz com a foto e o que eu falo sobre meu trabalho é que os ensaios acontecem entre as poses. Diane Arbus e a beleza do não padrão que ela sempre trouxe para as lentes.

Minha primeira grande inspiração foi o Estevan Oriol, ele que me inspirou a ser fotógrafa.
E tenho amigos e pessoas que eu sigo que são simplesmente sensacionais, Debora Nis, Thais Marins, Alexia Magalhaes, Maise Franco, Fabio Setti, Fernando Schlaepfer, Raul Aragão, Dave Almeida, nossa a lista é imensa… Desculpe se não citei alguém, é que é muita gente que me inspira mesmo.

Por que a fotografia sensual? Como que você percebeu que essa era a sua praia?

Eu só percebi quando eu fiz o primeiro ensaio e as pessoas gostaram muito! Eu nunca tinha pensado em ir para esse ramo da fotografia. Mas era para ser, foi tudo fácil e natural e é até hoje.

Percebi que tinha que continuar quando vi a facilidade que eu tenho de deixar as pessoas confortáveis, despidas e como eu já ajudei e continuo ajudando muitos homens e mulheres com meu trabalho.

Lud Lower
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Sobre as modelos. Como que é o desenrolar do seu trabalho? Você é quem entra em contato com uma determinada modelo que deseja fotografar e faz a proposta, ou elas que te procuram já com a ideia de fazer um ensaio sensual?

Dificilmente eu vou atrás de alguma modelo, é bem raro, embora eu quisesse às vezes fazer isso, mas nunca faço não sei por que hahaha.

90% dos meus ensaios são pessoas que não são modelos e nunca posaram, meu público me procura para ensaios pessoais mesmo, para si mesmo ou para dar de presente para alguém. Meu trabalho é focado num trabalho interno de autoconhecimento e autoestima então as pessoas me procuram para isso.

Como a foto sensual em si já é um momento de intimidade e confiança entre modelo e fotógrafo. Como que funciona essa interação, o fato de ganhar a confiança e passar credibilidade para quem está posando?

Eu não sei explicar o que eu faço de verdade, mas todo mundo fica à vontade comigo. Eu acredito que seja pela naturalidade que eu trato a sensualidade e a nudez, eu não sexualizo isso.

Busco a sensualidade natural de cada pessoa, nada é forçado, e meu ensaio acontece entre as poses, os trejeitos reais dos movimentos, os olhares verdadeiros, os risos fáceis que tiro de qualquer pessoa. Acho que tudo isso traz tanta naturalidade que não é difícil para a cliente ficar bem à vontade.

Lud Lower

Poderia nos falar como é a estrutura do seu trabalho? Possui uma equipe que te assessora com maquiagem, cabelo, roupas, luz, cenário, etc? Trabalha com estúdio próprio ou prefere externas?

Eu trabalho sozinha, por enquanto. Gosto de ter todo o contato do pré e pós com o cliente, acho que ajuda a criar essa confiança. Tenho maquiadoras que indico para as clientes se elas quiserem,
mas no geral é só eu e a pessoa mesmo.

Tenho meu próprio estúdio, a maioria das minhas fotos são feitas em ambientes internos, até pelo teor do conteúdo!

Vamos falar do processo criativo. Conte um pouco de onde vem a criatividade? Quando você bate o olho numa modelo já vem tudo na sua cabeça, desde adereços, local, tipo de luz, etc? Você mesmo bola tudo, desde o briefing até a execução ou a modelo chega a dar sua sugestão e a participar do processo criativo?

Eu não faço briefing, a não ser que seja um trabalho mais publicitário mesmo, ou de moda que exija isso.
Eu gosto de captar o máximo possível de como a pessoa é, naturalidade não cabe em roteiros.

Sempre estou aberta a sugestões das clientes, posso até reproduzir uma ideia, mas sempre com meu olhar, dificilmente eu vou copiar um trampo e tal.

Diferente quando é um trabalho mais publicitário ou de moda, ai muda, entra o briefing e o roteiro, mas quando eu vejo que a empresa não está me dando liberdade criativa eu já fico meio broxada do trabalho.

Hoje em dia, o empoderamento feminino ajudou com que as mulheres estejam mais decididas a fazerem um ensaio sensual? E geralmente qual é o objetivo da mulher que procura um ensaio sensual? Presentear o marido, namorado(a) ou para ela própria, guardar para a posteridade?

Minhas clientes fazem pra SI mesmas, elas buscam autoconhecimento, se ver de uma forma gentil pelo olhar de outra pessoa, não pelo olhar cheio de julgamentos que ela aprendeu a ter no processo inteiro da vida dela. E autoestima vem do processo de autoconhecimento e o empoderamento só surge quando você tem os dois.

Então aqui é meio aquele lance, quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

Acredito que um empoderamento SOCIAL das mulheres facilitaram os meios para que as mulheres se sintam mais seguras e terem mais coragem de fazer um ensaio para si.

As modelos que produzem conteúdos adulto, procuram o seu trabalho? Já fez trabalho para gente famosa? Conte para nós.

Já fiz trabalho com a Karol Conká, algumas influencers mais famosas, mas nunca trabalhei com pessoas famosas de fato, tipo atrizes da Globo e tal.

Sim já me procuraram pra fazer conteúdo para site adultos e pra mim é tranquilo, eu continuo levando naturalidade mesmo nesses trabalhos que exigem mais sexualização e objetificação.

Lud Lower

Quando você está frente a frente com a modelo, o que você analisa primeiro? Sabemos que cada olhar é único, e queremos saber como é registrar diferentes formas de beleza, compor e desenvolver uma história? Podemos dizer que uma sessão de fotos é também uma forma de contar uma história?

Todas minhas sessões são histórias, tem começo, meio e fim. Eu OUÇO antes de olhar as clientes. Eu ouço sua respiração para saber os quanto nervosos estão, eu ouço seus medos e receio. Depois eu vejo os trejeitos, o quanto é bonito quando mexe a mão, ou vira o rosto para o lado.

O riso da pessoa é contido, é grande qual fica mais lindo e traz mais brilho no olhar? O resto é técnica, muito estudo de estrutura corporal e facial para saber qual luz, e qual posição perante a luz vai trazer mais harmonia aquela pessoa.

Ao longo da sua carreira, já sofreu algum tipo de preconceito?

Já fui confundida com garota de programa, perdi trabalhos por fazer trabalhos sensuais e perdi trabalhos por ser mulher. Na verdade, sofri mais machismo do que preconceito mesmo.

Lud Lower

Qual é o maior desafio para um fotógrafo, independente do segmento em que ele atua?

Depende muito, o que é desafio para um às vezes é moleza para outro.

O desafio de um pode ser o investimento na carreira, para outro pode ser vender o trabalho, para outro ter contatos, para outro ser um digital influencer bom. Acho que não existe o maior desafio, existe as limitações de cada um e os desafios pessoais que cada um vai enfrentar dentro da sua própria realidade.

Quero saber um pouco de equipamentos. Você prefere flash ou luz natural? E qual a sua lente preferida, aquela que está em todos os ensaios, e por quê?

Uso Luz natura  e luz continua, gosto de misturar luz natural com luz do ambiente, tipo abajures, velas, luminárias.
Minha lente preferida na fullframe é a 50mm 1.4 e 34mm 1.4 e na crop é a 17-50 2.8.

Basicamente só uso essas três lentes, gosto da 50mm na fullframe porque traz uma naturalidade muito próxima do olhar humano, quando quero algo mais distorcido eu uso a 34mm.

Na crop a 17-50 que fica algo meio 28-70, gosto muito de fazer alguns retratos com grande angular pra brincar com a distorção. Não sou muito fã de tele, nunca fui, até porque trabalho em ambientes internos é bem difícil, temos muito espaço disponível para algo a mais de 50mm hahahah.

Lud Lower

Hoje, para quem quer se tornar um fotógrafo profissional, qual conselho você daria?

Se questione sempre o PORQUÊ, por que eu quero entrar para esse ramo? Se a resposta sempre for dinheiro, volte umas casas e faça um curso na área de TI, dá mais dinheiro.
Se você for fotografar produtos, e comidas, Still, ignore o que vou falar ou não.

Mas se sonha em entrar pra fotografia e fotografar pessoas, seja sensual, nu, fashion, publicidade, festas, crianças, , newborn enfim, lembre-se sempre: VOCÊ ESTÁ RETRATANDO PESSOAS, você está eternizando a imagem de alguém, isso é MUITA MUITA MUITA RESPONSABILIDADE, você pode salvar uma pessoa com seu trabalho, como pode destruí-la!
ESTUDE, estude, estude. Veja se você tem feeling para lidar com pessoas, com problema de pessoas. Se você não tem empatia esse trabalho não é para você. Eu já tive muitos clientes com uma percepção da autoimagem DESTRUIDAS por conta de um fotógrafo que não sabia o que estava fazendo.

Lud Lower, muito obrigado por nos conceder esta entrevista para o Blog do Suspiro. Saiba que gostamos muito do seu trabalho e é um prazer poder compartilhar um pouquinho dele aqui no nosso blog. Deixo agora um espaço para que você possa falar o que quiser para os nossos leitores, para que também possam conhecer um pouco mais do seu trabalho.

Convido a todos vocês para conhecer meus trabalhos, tenho dois Instagrans @ludlower é dedicado a todos meus trabalhos
@lowerstoys é dedicado ao Myboytoys que é meu projeto de sensualidade e nu masculino que traz gifs e interação entre mim, a fotografia e os modelos.

Esse foi o insta que foi deletado que tínhamos 44 mil seguidores, mas temos um site por assinatura que é www.myboytoys.com.br já tem todos os ensaios sem censura e completo e na área de shop tem revistas individuais dos modelos também.

Sejam bem-vindos.

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