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Acompanhantes

Paula Assunção: “Sexo representa troca, sentidos e atenção”

  • Nome: Paula Assunção
  • Idade: 31
  • Cidade: Porto Alegre
  • Instagram: @paula_assuncaof
Paula Assunção

Paula Assunção é a visualização cintilante da descoberta íntima do ser, a transparência de como o prazer nos liberta das amarras de forma concisa e esplêndida. Se isso não fosse o bastante, ela ainda passou a reconhecer a cada novo dia seu extraordinário amor-próprio.

Batemos um papo descontraído, mas que não deixou de ser profundo sobre ser acompanhante e as visões erradas do trabalho que precisam e devem mudar.

Paula Assunção

Paula Assunção
Paula Assunção

Para começar nossa conversa, conte um pouco sobre você para aqueles que não a conhecem.

A pergunta difícil que me lembra das inúmeras entrevistas de emprego que fiz. Para resumir, sou uma mulher divorciada, mãe de um filho adolescente, que ama morar sozinha e viajar, sozinha também, coisa que tenho saudades de fazer inclusive.

Saí de Guaíba (Rio Grande do Sul), morei na praia, fui aleatoriamente para MG e acabei voltando a Porto Alegre. Amante da auto fotografia, descobri nisso uma forma de amar mais, já que cresci com muitos problemas de autoestima que seguem até hoje, em constante recuperação de transtornos alimentares e vítima de abuso sexual na infância, fato este que estou revelando publicamente pela primeira vez aqui, mas que achei importante dividir com vocês.

Já tinha em mente que queria trabalhar como acompanhante ou simplesmente aconteceu?

Sim, tinha vontade desde muito nova, a profissão sempre me despertou curiosidade, e decidi desbravá-la aos 21 anos, as coisas não eram tão fáceis como são hoje, e acabei precisando das famosas agências e do famoso cafetão, o que me tirava o poder de escolha que tenho hoje.

Paula Assunção
Paula Assunção

Poderia nos contar como foi o seu primeiro atendimento?

Consegui o cliente através dos chats do Terra kkkkk, marcamos no motel, ele chegou antes como de costume, era um rapaz jovem, uns 30 e poucos, gordinho, bonito, mas não era o tipo que me atraia em festas por exemplo. Me tratou muito bem, e foi com ele que tive meu primeiro orgasmo, foi assim que eu soube que essa profissão é além de tudo, um fetiche para mim.

Família e relacionamentos. Você pode falar um pouco sobre isso?

Minha família sabe, mas não fala comigo sobre isso, inclusive meu filho também sabe, de quem tive todo apoio. Tive um relacionamento recentemente, ele nunca foi um cliente e sempre soube da minha profissão, mas acabou não dando certo, é muito difícil manter qualquer coisa fazendo o que faço, lidar com o ciúme e exposição, é complicado para quem está comigo, e pra mim é difícil não me sentir traindo, acabo pensando que não mereço a pessoa.

Paula Assunção

O seu trabalho causou grandes mudanças na sua vida com relação a crenças, sentimentos e personalidade?

Sim, me fez ver os dois lados da moeda, do homem que trai e porque, também passei a confiar menos nos homens. Eu evoluí muito como pessoa.

Sobre as fantasias. Algum cliente já te pediu para satisfazer alguma fantasia sexual que realmente você gostou muito em realizar? E teve uma que foi a pior e por quê?

A pior sem dúvida foi onde envolvia humilhação e sadomasoquismo mais pesado, com tortura física e xingamentos, me senti péssima e nunca mais fiz. Eu não curto muito fantasias, gosto do tradicional, com carinho e pegada, então não houve nada de incomum que eu tenha realmente gostado.

E você, já teve a oportunidade de realizar todas as suas fantasias? Tem alguma faltando que queira compartilhar conosco?

Sou totalmente realizada sexualmente! Tirando meu desejo eterno pelo Jason Momoa (vulgo Aquaman) que pelo visto vou morrer sem realizar.

Acredita que hoje as pessoas estão mais soltas a querer satisfazer suas fantasias ou ainda tem muito tabu sobre esse assunto?

Depende. Estão soltas só com a gente que é profissional do sexo, a maioria é extremamente fechada com o/a parceiro(a). Somos as únicas que ouvem e não julgam, as pessoas têm medo de se abrir e se sentirem ridículas, o que é bem triste.

Paula Assunção
Paula Assunção

O que o sexo representa em sua essência?

Representa troca, de sentidos, atenção, carinho, é prazer. Sexo sem troca não é sexo. É por isso que aprendi a recusar toda e qualquer coisa que não me dê prazer, ainda que eu esteja sendo paga, porque se não vira uma mera transação comercial.

Você é colunista do blog da Fatal Model, um dos maiores sites de anúncios de acompanhantes. Como surgiu a oportunidade para compartilhar assuntos tão relevantes?

Pesquisei mais sobre o site e passei a admirar muito a forma como falam deste mercado, e fui tirar algumas dúvidas com eles sobre as embaixadoras da marca, logo depois veio o convite para me tornar influencer pelo Instagram, mas não é muito meu estilo, foi quando demonstrei interesse em ser colunista e aceitaram.

Quanto aos orgasmos, é possível atingir orgasmos durante um encontro?

Muita gente não acredita, mas eu consigo quase sempre, independente de aparência física ou idade do cliente, porque a situação é que me dá prazer, e porque eu conheço muito bem o meu corpo.

Sua agenda de trabalho é bem agitada? Existe alguém ou uma equipe que te auxilia a organizar todos os compromissos?

Ninguém me auxilia, inclusive acho importantíssimo o primeiro contato do cliente ser comigo, porque é assim que sou seletiva e decido com quem sair, alguns dias são mais agitados que outros, não posso reclamar.

Paula Assunção

Sobre sua sensualidade. O que é sensualidade para você e o que te faz suspirar?

Sensualidade para mim é o mistério, é deixar margem para imaginação, por isso não gosto de fotos explícitas. Me faz suspirar quando o prazer é mútuo e percebo que a pessoa está atenta a descobrir o que eu gosto.

Homens e mulheres, há alguma preferência ou ambos te satisfazem? Qual o perfil dos seus clientes? Atende casais também?

Prefiro homens com certeza, já fiquei com mulheres, mas falta alguma coisa, literalmente hehe. O perfil dos meus clientes são homens de 30 a 50 anos, casados e solteiros, muito educados, que me tratam bem, me presenteiam e realmente se importam em me dar prazer. Também atendo casais, mas não gosto muito, quase sempre dá uma briguinha entre eles.

Os clientes te tratam bem, sendo atenciosos e delicados?

Me tratam melhor do que meus ex já me trataram! Já ganhei flores de clientes, coisa que em 8 anos de casamento não ganhei. Se não fosse meu dom de separar as coisas, me apaixonaria fácil.

Já houve alguma vez que algo aconteceu para você querer desistir e ir embora de um encontro? O que você não tolera neste meio?

Nunca aconteceu, porque já sou bem seletiva na conversa do Whatsapp durante o agendamento, quem é má pessoa costuma se entregar por ali e meu faro nunca falha. Não tolero falta de educação, e quem me conhece sabe que detesto erros de português hahaha, mas as vezes eu relevo.

Existe alguma história no seu trabalho que marcou a sua vida? Poderia compartilhar conosco?

Sim, quando atendi um cadeirante, e eu não sabia disso até encontrar com ele, fiquei com medo de não saber o que fazer, mas se tornou um dos melhores encontros que já tive, bebemos tequila e rimos muito, aprendi a não ter preconceito e não ver deficientes como coitados, porque eles próprios nem sempre se veem assim, o que é admirável. E nas vezes que ganhei flores, foram atitudes que me marcaram muito, me fizeram sentir mulher, não só acompanhante.

Já foi vítima de preconceito por conta da sua profissão? Como você lida com isso? E o que você acredita que precisa mudar?

Claro, não tem como não ser, mas isso sempre aconteceu na internet, pessoalmente ninguém tem coragem porque falo disso com muita convicção e orgulho.

Acho que a profissão deveria ser reconhecida, já que é a mais antiga do mundo, passou da hora de ser visto como algo sério, até porque o mercado erótico é consumido pela maioria das pessoas, pura hipocrisia não reconhecerem.

Você tem algum dilema na sua vida, quanto à sua profissão?

Sim, sobre quando parar, hoje não consigo definir uma data, porque gosto do trabalho, mas tenho medo de com o tempo prejudicar minha saúde mental, e ter que sempre escolher entre o trabalho ou ter um relacionamento.

Sobre as redes sociais e plataformas, qual é sua ligação com seus seguidores? Eles são legais com você?

Passei a expor minha profissão no Instagram e foi libertador, depois disso 99% deles me respeitam muito, passei a sofrer bem menos assédio desrespeitoso, o que é curioso…

Paula Assunção

O que gosta de fazer nas horas vagas?

Compras hahaha, ir ao cinema, assistir série, sair para jantar, viajar, e principalmente ver meus amigos.

Aposto que você deve conhecer pessoas muito legais na área. Quem são os rostos que influenciam de maneira tão positiva?

As pessoas que me influenciam não vêm do trabalho, muita gente pensa que pra nós acompanhantes tudo gira em torno disso, mas também temos “vida normal”. Quem mais me influencia são um casal de amigos, que amo muito e me fazem acreditar que é possível ter um casamento feliz, e que lealdade ainda existe.

Qual música não pode faltar na sua playlist de sexo?

Idontwannabeyouanymore (é tudo junto mesmo), Canção de Billie Eilish. E um rock também vai bem.

Qual é o caminho para o seu coração? Ou ele é blindado?

Blindado, não perca seu tempo hahahha.

Qual dica você daria para alguém que pretende ser acompanhante?

Respeite seus limites e jamais faça o que não te agrada, você pode perder alguns clientes, mas os que você ganhar, serão fixos, e sua saúde mental e física agradecem. Ah, exija educação e ser bem tratada sempre.

Agradecemos muito a sua participação no Suspiro, em poder compartilhar com a gente um pouco da sua vida e seu trabalho. Deixe aqui um recado para nossos leitores e seus fãs, abra o seu coração.

Um recado clichê, mas que as pessoas esquecem: Trate os outros como gostaria de ser tratado. Educação e gentileza são de graça, e todo mundo, por pior que seja, merece. E estude português, quem lê agradece.

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